
“Produto indicado só para adultos" Vocês prestaram atenção na frase que está encerrando os comerciais de bebidas? Pois é só pra adultos..mas quando a gente sabe que é adulto? Essa linha de transição de fases é tênue. Para a lei aos dezoito. Para quem sofre com os despautérios da nossa lei, talvez aos 13...14 Para as mães, nunca. Acho que isso acontece quando a gente repara que daríamos tudo de volta para recolocar os uniformes enormes e voltar a odiá-los. A gente nasce, cresce, vai a escola, se forma, cursa a faculdade se forma (ou talvez não) e ai? O que acontece? Espera um momento, me contaram que quando eu tivesse meus vinte e poucos anos minha vida estaria resolvida...Será? Doce Ilusão. Alguem aqui é o que você planejou para si mesmo quando estava na quinta serie? Duvido! E acho que isso que é intrigante, muitas vezes destrutivo, mas também parte desse lance de se tornar gente grande. Entre Backstreet boys, Spice girls e Leonardos de Caprio eu achava que quando eu virasse “adulta” eu estaria numa revista cobrindo eventos da musica, ou talvez indo para uma cobertura de guerra, seria totalmente independente e talvez morasse sozinha, ou com minhas amigas naqueles apartamentos imeeeeeeensos com uma sala para musica, uma cachorra que chamasse VAKA e festas todos os dias. E nos fins de semana viagens. Engraçado pensar assim, porque seguindo esse pensamento eu poderia me achar uma fracassada. Confesso que isso paira sobre meus devaneios, mas ai é o momento que eu paro e penso. – Caramba! Como eu estou velha! Velha e chata! Tenho meu carro, estou num emprego idealizado por muitos, ganho bem para a minha idade, tenho um namorado que me ama, minha família que me apóia e acima de tudo me suporta e amigos que são capazes de me surpreender a cada dia e me fazem sentir a melhor pessoa do mundo. Sim, de certa forma eu sou aquela “adulta” que achava que iria ser no ensino fundamental. E mesmo assim ainda estou em tempo de ser. Acho que nunca vou saber me encaixar nessas chamadas “fases da vida”, sei que não sou mais a garota que andava sem rumo pelas ruas da zona norte, nem a fanática por Howie D, mas estou aprendendo a seguir o curso natural das coisas e assumir que o que eu sou hoje não é fruto do acaso, foi o caminho que eu trilhei. Mas isso não significa que os trilhos necessariamente estão em rumo reto ou uma linha reta. Sei não em que destino vou chegar, mas estou tentando aproveitar mais essa viagem. Joyce Araújo
Escrito por Mulheres no Divã às 20h58
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