Desejos

Cansei das verdades duras, aquelas que nos entregam de bandeja e a duras penas...
Cansei das responsabilidades, dos amores confusos, das carências perturbadoras, das mentiras desnecessárias.
A partir de hoje prometi pra mim mesmo que viverei de conselhos insensatos, de verdades não tão duras, de ilusões...
E se isso resolve? Não, e quem disse que preciso resolver?Ah! Lembrei o meu analista!
Como é duro deitar-me toda semana naquele divã que muitas vezes parece me o banco de um tribunal onde o acusado sou eu.
Acusam-me do quê?Do crime mais perigoso e de maior ameaça à humanidade: O desejo!
Acusam-me de desejar mais do que realmente dou conta de realizar
Acusam-me de viver sonhos, fantasias e muitas vezes neles permanecer.
Acusam-me de que por barganha nenhuma os trarei para a realidade.
Ah! Manifestei-me: “Datavenia!”.
Sabe porque esse desejo, ou esses vários desejos que me compõem permanecem na esfera da fantasia?
Por que é gostoso, não que eu seja sádico, ainda que inegável que todos nós temos um pouco de felicidade na desgraça alheia.
Mas sim, por mais irreal que isso seja, fantasiar, sonhar é bem possível e um alento pra certos momentos, onde a realidade
que julgamos é dura demais.
Sabe o que me veio à mente? Que se for condenado, será o começo de uma guerra, afinal quem nunca foi ou é o desejo de alguém?
Quem ironicamente também não desejou algo ou alguém a ponto de tornar esse platonismo o mais perfeito dos relacionamentos.
Amar é bom, mas se houver reciprocidade, é o que sempre digo!Porque amor não correspondido dói.Dói nas duas pontas,
de quem ama demais e de quem ama de menos...Em qual você quer ficar? Nem sempre decidimos, mas em geral submetemos-nos
a certos relacionamentos simplesmente para não ter que experimentar a dor de uma das partes.
É aquele velho trato, um entra com o pé e o outro nós já sabemos com que...
Por isso reitero, quem é capaz de condenar alguém que prefere “estacionar-se” na fantasia?
Quem sabe o tráfego na via da realidade esteja intenso demais.E se não houver placas pra te guiar?
É, uma paradinha é boa, é o tempo pra parar para pensar, olhar no guia e escolher o melhor caminho.
A rota pode ser mais curta, ou a mais conhecida, mas que é preciso voltar pra casa isso é fato.
A realidade, ainda que funcione como castradora, é o seu espaço de vivência, é aqui que percebemos
o quanto nosso outro mundo (o interno) é acolhedor, quentinho, é um regresso para a oportunidade de volta para o progresso,
mas cá entre nós, ainda que dentro da gente suportemos mais, angustiamos na mesma proporção ainda que mágico, lá dentro nem sempre é acolhedor, afinal quem nunca teve medo de seus próprios desejos?
Camila Bombonato
Escrito por Mulheres no Divã às 05h53
[ ]
[ envie esta mensagem ]
[ link ]
|