Terapia de Batom


Um dia



Um dia eu vou ser livre.Um dia vou fazer tudo o que tenho vontade.Um dia vou esquecer ele.
O tempo cura tudo, cura a dor do amor, cura a vontade de se casar com aquele cara.
Mania de adiar a dor, mania de acreditar no romantismo, de que o principe do cavalo branco que todas sonhamos irá chegar.
Na verdade ele já chegou, tantas vezes para algumas e apenas uma para outras. Mas foi embora do jeito que chegou, deixou triste do mesmo jeito que deixou feliz.Mas sabe um dia isso irá mudar também.
Num dia fomos escravas, ainda recebemos menos do que devemos, sofremos pelo machismo que existe na propria libertade que criamos e queremos a libertade.Mais que isso queremos ser compreendidas com seres humanos, apenas isso, iguais os outros tantos que vivem por ai.Quero ter sonhos, quero casar de branco na igreja, quero ser mãe, quero ser uma otima profissional, quero mudar o mundo com os meus atos, quero lavar roupa incluindo cuecas. Quero ser apenas uma mulher, com amores que uma mulher tem. Por que isso fica tão dificil? Porque tenho que ser controlada, porque tenho que ter atitudes que outras pessoas dizem que tenho que ter. Porque tenho que sentar com as pernas fechadas? Porque não posso fazer uma piada infame? Nem posso falar palavrão.Duplipensar mais complexo do que o proprio complexo.Ser mulher é bem simples, nascemos mulheres e pronto. O que complica é um dia somos criança no outro passamos a ser mulheres.

Mas um dia isso irá mudar, irá mudar dentro de cada uma que tem essas aflições.

Um dia...




Naiara Abrahão

Escrito por Mulheres no Divã às 13h59
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Verdadeiras Princesas

Eu ocidental

Você oriental

Mulheres...

Sonhos iguais, vidas diversas

Aqui também havia desrespeito e sofríamos com o machismo velado...

Com o descaso porque não tínhamos o último silicone e uma bunda sem celulites...

O cérebro era um apetrecho que o mundo ocidental fez questão de desprezar...

Podíamos trabalhar, mas ainda que tivéssemos a mesma competência nosso suor era inferior ao dos homens...

Podíamos dançar, flertar, sorrir e beber, mas bastava virar a esquina e adjetivos vulgares e chinfris nos coroavam...

A mulher certa era aquela que pudesse se manter o maior tempo calada e fosse antes que tudo bela...

Não tínhamos burca, mas convivíamos com a dura percepção de que não passávamos de comida para os bárbaros...

A terra dos índios era alegre e feliz, povoada também por homens de bem...

Aqueles que valorizavam, compreendiam e nos motivavam...

Mas bastava uma agressão física e o questionamento mundano:

O que será que ela fez para ele?

E ainda usavam a velha frase:

Esta não foi feita para casar

A libertinagem era escancarada e enquanto homens se vangloriavam do tamanho do seu falo e de quantas penetrações eram capazes de fazer em apenas uma noite

Nossos sonhos eram quebrantados...

A metamorfose também era de certa forma esperada do lado de cá...

Porque aqui os filhos continuavam sendo apenas da mãe...

A religião mudava, mas para os cristãos a maioria não passava de Evas...

Padrões anormais e apenas uma fuga: a imoralidade

Para os homens conquistas, para as mulheres remissa

Quem sabe amanhã né?

Também acreditava que um dia deixaríamos de ser lagartos e passaríamos a borboletas...

Princesa, plebéia, no morro, no palácio, resumidas a sexo frágil...

Se a teoria do caos estava certa, atitudes de verdadeira nobreza como a sua ajudaria todas nós a sermos a princesa que verdadeiramente sonhamos... 

 

Mulheres Brasileiras, sem burca, sem véu e ainda sem a devida valorização

Rebecca Araujo

 

 

Texto após leitura da Trilogia da Princesa, composta pelos livros "Princesa - a real história da vida das mulheres árabes por trás de seus negros véus", "As filhas da Princesa" e "Princesa Sultana - sua vida, sua luta" que foram escritos pela autora americana Jean Sasson após relatos de uma princesa da Arábia Saudita revoltada com a cultura machista de seu povo.



Escrito por Mulheres no Divã às 14h04
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Desejos

 

 

Cansei das verdades duras, aquelas que nos entregam de bandeja e a duras penas...

Cansei das responsabilidades, dos amores confusos, das carências perturbadoras, das mentiras desnecessárias.

A partir de hoje prometi pra mim mesmo que viverei de conselhos insensatos, de verdades não tão duras, de ilusões...

E se isso resolve? Não, e quem disse que preciso resolver?Ah! Lembrei o meu analista!

Como é duro deitar-me toda semana naquele divã que muitas vezes parece me o banco de um tribunal onde o acusado sou eu.

Acusam-me do quê?Do crime mais perigoso e de maior ameaça à humanidade: O desejo!

Acusam-me de desejar mais do que realmente dou conta de realizar

Acusam-me de viver sonhos, fantasias e muitas vezes neles permanecer.

Acusam-me de que por barganha nenhuma os trarei para a realidade.

Ah! Manifestei-me: “Datavenia!”.

Sabe porque esse desejo, ou esses vários desejos que me compõem permanecem na esfera da fantasia?

Por que é gostoso, não que eu seja sádico, ainda que inegável que todos nós temos um pouco de felicidade na desgraça alheia.

Mas sim, por mais irreal que isso seja, fantasiar, sonhar é bem possível e um alento pra certos momentos, onde a realidade

que julgamos é dura demais.

Sabe o que me veio à mente? Que se for condenado, será o começo de uma guerra, afinal quem nunca foi ou é o desejo de alguém?

 Quem ironicamente também não desejou algo ou alguém a ponto de tornar esse platonismo o mais perfeito dos relacionamentos.

Amar é bom, mas se houver reciprocidade, é o que sempre digo!Porque amor não correspondido dói.Dói nas duas pontas,

de quem ama demais e de quem ama de menos...Em qual você quer ficar? Nem sempre decidimos, mas em geral submetemos-nos

a certos relacionamentos simplesmente para não ter que experimentar a dor de uma das partes.

É aquele velho trato, um entra com o pé e o outro nós já sabemos com que...

Por isso reitero, quem é capaz de condenar alguém que prefere “estacionar-se” na fantasia?

Quem sabe o tráfego na via da realidade esteja intenso demais.E se não houver placas pra te guiar?

É, uma paradinha é boa, é o tempo pra parar para pensar, olhar no guia e escolher o melhor caminho.

A rota pode ser mais curta, ou a mais conhecida, mas que é preciso voltar pra casa isso é fato.

A realidade, ainda que funcione como castradora, é o seu espaço de vivência, é aqui que percebemos

o quanto nosso outro mundo (o interno) é acolhedor, quentinho, é um regresso para a oportunidade de volta para o progresso,

mas cá entre nós, ainda que dentro da gente suportemos mais, angustiamos na mesma proporção ainda que mágico, lá dentro nem sempre é acolhedor, afinal quem nunca teve medo de seus próprios desejos?

 

 Camila Bombonato

 



Escrito por Mulheres no Divã às 05h53
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