Terapia de Batom


O que te falta?

 

 

 

 

 

Já pensou na sua falta de hoje? Aquela que ironicamente te sobra.

É a falta que na verdade não falta, é ela que se torna por muitas vezes

a responsável pela escolha da profissão, pela escolha do amor, pela

escolha da balada de sábado a noite... É ela que não falta, ainda que

no momento de maior falta.

Mas como saber o que de fato falta?Ainda que se sinta, se queira,

tente traduzir ou explicar em palavras, muitas vezes essa falta só existe

 e não de fato consiste.

É por estar tão dentro da gente e por parecer tão impossível de tangir,

de apalpar de forma concreta, que a falta, na verdade que não nos falta,

se torna a enfermidade da alma.É quem toma as rédeas das escolhas e que por isso parece

nos levar num frenesi, sem controle e que por inúmeras vezes (ah, quantas!) nos frustra,

 porque buscamos fora algo que não consiste e apenas existe dentro da gente.

Se falo de fantasia, desejo, pode ser...ou não!

E por um momento, seja fora ou dentro culpamos o outro; é ele o responsável

pelo que de fato nos falta; Absurdo? Nem tanto assim, é o que o ego suporta!

Se isso faz sentido? Já se perguntou isso hoje? Afinal como explicar que falta algo

naquela pessoa maravilhosa, linda, cheirosa, bem humorada e que abarca grande

parte das qualidades que ocupavam espaço no seu diário

 com o título de “A pessoa perfeita deve ser...” ?.Aí naquele papo de sexta-feira

a noite com os amigos, surge a tão perturbadora e aliviante frase:

“A pessoa é isso, aquilo, mas ainda sim falta alguma coisa nela!”

Sempre falta!Há quem diga que não... Te atreves?

 

 

 

Camila Bombonato



Escrito por Mulheres no Divã às 10h57
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As assistentes de Deus

 

O corpo dela mudou. Os seios aumentaram, a barriga cresceu, a cintura se foi.

As compras não são mais pra ela, mas não se entristece por isso.

Sofre uma dor sem igual, mas quando escorrem lágrimas são de felicidade.

E então pode ver a pele branca e de tão novinha toda enrugada. Os dedos tão pequenos que dá medo de pegar, assim como todo frágil corpo. O som gostoso da gargalhada e o choro preocupante.

A sensação de que nasceu com o único intuito de viver aquela fase, aqueles dias.

Ser mãe.

Gerar por 9 meses um pedaço dela mesma misturado com parte da pessoa que ama. Gerar a vida em sua própria. Ser importante, vital, única.

Ver em outro corpo a cor dos seus olhos, o risco da sobrancelha igualzinho o dele. Poder planejar a busca na escola, os churrascos de domingo.

Certamente a melhor coisa que sentiu. Mas, era tudo tão novo: a casa, o casamento, a filha. E ainda assim, mantinha a independência.

Ser mulher.

Ser milhares de pessoas em uma só. Idealizar, seguir, insistir.

Tudo o que faz a diferença no sexo frágil. A delicadeza e a força, a suavidade e a correção.

A arte de reproduzir, a arte de dar continuidade aos sonhos, ao mundo.

E pensar que tudo faz parte de um projeto. E dele "se faz o céu".

Para que um dia ouçamos a alegria e a fertilidade bater à nossa porta sem nos preocupar com a violência, com as drogas ou qualquer outro tipo de insônia tão frequente, é bom já começarmos a sentir tudo isso.

Uma declaração de amor. Uma utopia real.

Uma luta e uma lembrança.

Ser sensível e se permitir a empatia, pois são elas que nos iluminam e nos dão o ar que respiramos.

Valiosas mulheres que nos colocam no colo quando nos sentimos sozinhas e nos apóiam quando o resto do mundo vira as costas.

Valiosas mulheres que entendem nossos olhos cheios de vontade de chorar porque o amor da nossa vida foi embora ou porque passamos no vestibular.

Valiosas e fabulosas porque existem na coragem e nunca nos deixam desistir ou desanimar.

Mães, aquelas que existem porque Deus precisava de assistentes.

 

                                                                                              (Érica Marin)



Escrito por Mulheres no Divã às 06h02
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Eu como filha digo:

Eu como filha digo que sou suspeita para falar do dia das Mães, porque acho uma chatice aqueles milhares de flores e aquele montão de gente que trata a mãe mal o ano inteiro e no segundo domingo de maio na maior cara deslavada vai almoçar na casa da genitora e ainda reclama que a carne está sem sal.

Mas como normalmente esquecemos de ressaltar a importância das figuras essenciais de nossa vida, decidi escrever e indiretamente ajudar este capitalismo selvagem...rs

Particularmente tinha uma mãe muito dedicada e que cedo abdicou de sua vida profissional para cuidar de mim e da minha irmã 5 anos mais velha.

Mais que educação, respeito ao próximo e amor próprio, minha mãe é alguém que sempre guardarei com uma imagem de inteligência e alegria. Ora com livros, ora com pinturas e toda criatividade artística que lhe é muito peculiar.

Sua capacidade de ser livre de preconceitos, de tentar enxergar o mundo da forma mais básica e de respeitar nossas decisões, ainda que ela as ache um barco furado chega a soar até heróico para uma mãe que no fundo é como a maioria das mães: superprotetora.

Neste domingo e naquela infinitude e variedade de flores eu poderia comparar as mães rosas, mães cravos e as mães que não poderíamos denominar como flores.

Mas mesmo diante do caos continuo a crer que não exista amor tão singelo e sem segundas intenções. E talvez esta deva ser a parte mais gratificante do amor materno:

Amar por amar.

Por isto, nada de abusar das mães ou querer que elas sejam mulheres maravilhas. Lembremos que as mães, aquelas que esquecemos que tem vida sexual ativa, que choram por amor, estas também possuem anseios e dúvidas como qualquer mulher.

A diferença é que há um enorme esforço para que sejamos a parte boa delas e talvez por isto o amor tenha este peso imensurável quando se fala em maternidade.

Na verdade, tudo são teorias, leituras e impressões que tenho com as mães que entrevistei e convivo.

Por enquanto do lado de cá, de apenas filha, sou meio Mafalda e reconheço que elas também são chatinhas ao sempre perguntarem se esquecemos o guarda-chuva e blusa de frio, ao xingar o homem pelo qual somos apaixonadas e ao nos obrigar a comer canja. Sinto sinceramente que só pode dizer com propriedade quem de fato é mãe.

Portanto, sem mais delongas FELIZ DIA DAS MÃES, para todas aquelas que durante nove meses nos guardaram e que depois pelo resto de suas vidas tentam em seu íntimo nos libertar para o mundo e também para todas aquelas que às vezes aguardam bem mais de 9 meses para conseguir adotar uma criança e efetivamente seguir com o papel de mãe.

 

No fim, não reconhecemos as boas mães pelos filhos que geram e sim pelo amor e consciência com que os criam. 

 

Rebecca Araujo 



Escrito por Mulheres no Divã às 13h14
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