Terapia de Batom


Alice no mundo de Copas

 

 

 

Escutando aquelas músicas, lembrando das guerrilhas colombianas, do caso Isabella e dos tsunamis de sua própria vida, Alice sentou, mas dessa vez não chorou....

As lembranças existiam e podiam ser eternas, mas seus sentimentos não...

Talvez ela quisesse negar aquele nó na garganta ao vê-lo no trabalho, no msn ou ao vê-lo em qualquer lugar.

Mas como dizia a grandiosa Martha Medeiros, mesmo se a vida estivesse certinha, haveria sempre um romance mal resolvido, um botão caído, uma carta jogada...

E haveria também aqueles romances que nem aparentavam romance, eram enrustidamente amizade, admiração ou quem sabe ódio...

 A verdade é que só você poderia saber o que sente ou talvez não...

Por isto entender o mundo de copas para Alice era cada vez mais complicado...

Entender o preço absurdo do feijão, o presidente falando pobrema e a CPI dos cartões corporativos doía, mas nem tanto como a curiosidade de saber por que seu amor tinha ido viajar sozinho, por que o emprego rareava, o peito caía e por que aquele cara boa pinta gostava dela, mesmo a vendo sempre de moletom rasgado, sem gloss e pior; porque ela continuava a gostar daquele feio, mas tão sedutor homem que às vezes a ignorava.

Alice tinha vários defeitos, mas talvez o pior deles fosse o romantismo...

Então a maioria dos seus problemas se restringia ao amor em qualquer que fosse a sua forma. Ela acreditava que dessa forma minimizaria ou unificaria todos os problemas do mundo.

Alice parecia viver no país das maravilhas e sua mãe sempre dizia que ao escolher seu nome imaginava uma menina princesa e era justamente assim que ela se sentia com aquele vestido ao lado dele...

Mas Alice também tinha seu lado Rainha de Copas, era espevitada, tinha vontade de cortar a cabeça de muita gente... Algumas vezes confesso que até a ouvi gritar.

Porque Alice não era uma personagem

Alice fazia promessas demais, Alice era a hélice catalisadora de ventos a favor.

Alice era a mulher do elevador, a tia que vende hot-dog, a executiva, a estudante...

Alice era real e poderia ser o espelho.

Rebecca Araujo

 

 

 

 



Escrito por Mulheres no Divã às 10h08
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